Crônicas

As mulheres em uma corrida

Eu tenho um amiga mais jovem do que eu. Ela gosta de Formula 1 e trabalha com isso nas redes sociais junto com suas amigas. Hoje, estava vendo o GP da Áustria enquanto elas estavam comentando a corrida na rede social de Elon Musk sem restrições. Aquilo me deixava encantado como o esporte pode unir pessoas tão distantes de si naquele momento.

Nos anos 1990, as revistas de carro lançavam edições especiais para quem gostava de corridas. Me lembro do guia da quatro rodas de 1999 onde nas últimas páginas tinha uma bela bunda de uma grid girl para falar das relações entre tais modelos com os pilotos citando as furadas de olho entre os pilotos franceses do fim dos anos 1970 por uma mulher.

Pensava-se que as corridas fossem coisas de meninos. Logo não se imaginava uma garota curtindo uma corrida. Lembro em 2008, eu estava no curso técnico de informática no Instituto onde conheci uma amiga que gostava de Formula 1 como a Karen. Eu tinha pedido para dois professores que assinavam o Estadão pra me separar um guia da temporada de F1 daquele ano.

Pois bem, ganhei dois guias. Eu vi isso e dei um exemplar para a Karen. Tenho o meu guia até hoje nas minhas coisas. Isso era impensável nos anos 2000 pelo fato do esporte ser ainda visto como algo de menino. Nos anos 2010, isso mudou devido as redes sociais junto com a série Drive to Survive. Porém, ainda temos os ressentidos do clube do Bolinha.

Nós gostamos de corrida e não aceitamos o sexismo. Ainda temos um fantasma onde a polarização ideológica ainda faz parte de uma sociedade como a nossa. O simples fato de uma garota curtir uma corrida é visto como uma afronta por muitos machos que não aceitam a mudança dos tempos. Enfim, logo vemos que uma corrida é um bom lugar pra garotas falarem de si mesmas.